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Os homens

Os homens

No palco apenas uma velha poltrona. Ao lado desta em pé, e com um telefone em mãos, um  homem tenta desesperadamente ligar pra alguém. Ao longe ouve- se em off som de chamada de celular, que mistura- se com som de tiros. .

 

Pai ( nervoso ) - Atende o celular Júnior. Atende o celular. Meu Deus porque esse menino não atende o celular ( o nervosismo aumenta.  Anda inquieto pelo espaço. ) Meu Deus, o que deu nesse menino que não atende o celular ( som de chamada de celular) atende meu filho. Atende. Mania essa de não atender o celular.

( Finalmente, do outro lado da linha, alguém atende)

 

Filho - O que é meu pai ? O que ? Poxa...

 

Pai - Você está aonde meu ? De hoje que eu te ligo e você não atende a droga desse telefone.

 

Filho - Calma meu pai, calma. Tô aqui no curso, esqueceu ? Já estou indo pra casa.

 

Pai ( nervoso ) - Não , não venha não. Dê um tempo aí . Espere eu te ligar. Entendeu ? Você só vem quando eu te ligar.

 

Filho - O que é que foi meu pai ? Não estou te entendendo.

 

Pai  - Faça o que eu estou te mandando. Não venha. Os homens estão aqui na rua. Tudo armado. Todos de brucutu.

 

Filho - Mas eu não fiz nada meu pai. Eu estudo e trabalho.

 

Pai ( chorando ) - Eu sei meu filho, eu sei. Mas pelo amor de Deus, não venha meu filho. Não venha.

 

Blackout. 

 

Acendem - se as luzes. O pai esta sentado. Debate- se no velho sofá.

 

Pai ( chorando ) - Não venha meu filho. Não venha.

 

Filho ( Aproxima- se. Tenta acorda-lo ) - Acorda, meu pai. Acorda. Já está tarde. Vem pro quarto.

 

( Pai acorda. Levanta- se. Dar um forte abraço no filho, que o abraça também )

 

Filho - O que é que foi meu pai ? 

 

Pai ( Olhar de alívio e ternura) - Nada meu filho. Nada.

 

                Blackout - final




 

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Raimundo Moura
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(DRT 9922/BA) ator, dramaturgo, produtor. Pós – graduado em Arte Educação, Professor de Teatro(UFBA)

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