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Desolado em lá menor. (O que sobra no final do resto quando não há mais nada pra sobrar?)

Desolado em lá menor. (O que sobra no final do resto quando não há mais nada pra sobrar?)

Ainda nem tive tempo de te contar em todos os dedos.
um,
dois,
três quantos?
Anos, meses,
ou talvez anos.

Datais dos quais
me senti retraído e submerso em praga.
Meu rancor submergiu em tentação aos que eram próximos.
Tentei me afastar com esforço; deixar aqueles, poucos, que se importavam.

Quis me perder em tua perdição
mas tive que me contentar com a velha e conhecida solidão.
Pratiquei atos desoláveis, 
recolhi as roupas dos varal antes de me molhar.

Se você me notar, me avise.
Pra mim não me acabar,
pra mim não me afogar em ser o mesmo.

Em quais copos boiam os espaços em branco nas pausas da pauta?
Se desfibrilando em compasso da sua cintura fazendo sombra no escuro.
Dançando, dançando como um peito amargurado procurando você de volta.

O que sobra no fim das trilhas sonoras,
o que sobra no levantamento dos créditos finais.
E o que me engasga entre as palavras pra não te falar que nunca é demais.
O silêncio na sala grita tão alto,
a pradaria no alto da janela ecoa mais que meus berros.
E o dia acaba sem sentido algum,
mais uma vez.

E o que resta no final da gente quando não sobra mais nada?


Literatura

EternizArte
Hudson Henrique.
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Hudson Henrique. Escritor e compositor brasileiro. Ganhador do primeiro concurso EternizArte, com o poema "Assoprando dentes-de-leão contra a tempestade". Site oficial: www.hudsonoficial.com Aonde me encontrar: https://linktr.ee/hudsonhenrique

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