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RETIRÂNCIAS

RETIRÂNCIAS


(Karol Fontes)

Andando nesse sertão
Pra quarqué lugá que eu óio
Quage me esbugaia o zóio
Grandeza desse mundão!
O cantar do riachão
Araponga na paiada
Cascaver enrudiada
De tocaia na ristinga
Suçuarana na caatinga
Iscapando da ispingarda...

Iscuita bem o xexéu
Lá no mourão da portera
É como fio de pechera
Rebriando sob o céu
O cabocro mais incréu
Errante pelo caminho
Se carente de carinho
Ou sofredô de gaiada
Fica de arma lavada
No canto do passarinho...

Na poera do bursiguim
Um naco de grota e serra
Gimido mudo da terra
Que vive nesse sem fim
Aqui bem drento de mim
Ralando que nem serrote
Anda um berro de mamote
No rastro do retirante
E o buliço do berrante
No gimido dum garrote...

Purisso quando num chove
Pur tempo grande demais
Sou o úrtimo dos detrais
Que partindo se comove
Levo o gibão i o revorve
Num balaio de taquara
Um peba seco na vara
Pra fome que vem chegando
E a vida saculejando
No úrtimo pau-de-arara!!!

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