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Pobre e Inconstante

 

Sigo com você, pobre e inconstante

Quase que por um instante

Esqueço tudo ou quase tudo

Todo mundo e até o mundo

Em um segundo ou bem mais que um segundo.

Você vem e vai, muitas vezes sem dizer adeus.

Quando diz, falta algo.

Quando não falta, é porque não volta.

E quando volta, traz consigo outro você,

Diferente de quem eu acreditei conhecer.

Será você sempre o mesmo e eu outro alguém?

Serei eu inconstante?

Tão pobre de espírito sou eu, nem ao menos consigo reconhecer

O quão inconstante consigo ser

Sou mais hipócrita do que conseguia prever.

Você merece continuar o seu plano de conquistar o mundo

Assim, sozinho, com seu talento.

E eu tenho a obrigação de continuar aqui

Sozinha, com a minha inconstância.

Somos dois inconstantes,

Embora eu tente lhe privar de sê-lo.

A partir de hoje, deixo você ser inconstante,

Desde que nunca seja inerte.

EternizArte
Camila Rodrigues
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Autora do livro Necrotério das tesouras (Multifoco, 2016) e do conto A máscara bipartida (Andross, 2016)

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