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NONAGENÁRIO

NONAGENÁRIO

NONAGENÁRIO 

Espero morrer quando já for tarde
E a angústia de viver ter me deixado.
Sem futuro, presente nem passado,
Existir sem fazer qualquer alarde. 

Dos moços e da fúria que lhes arde
Sorrir condescendente e aparvalhado,
Como apenas um velho desbocado,
De quem ninguém enfim mais nada aguarde.

Feliz tão-só em ver a luz do dia
Encontre entre a loucura e a fantasia
Um verso que sequer possa escrever.

E diante do espetáculo da vida
Entenda a vanidade já vivida 
N'uma autoaceitação só de prazer.

Betim - 23 08 2020.

EternizArte
Ricardo CUNHA
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Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar. https://medium.com/@arqt.ricardoc

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