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JEJUANTE

JEJUANTE

JEJUANTE

A fome que me come p'las entranhas
Quer, senão me matar, mortificar.
Ou pôr as emoções em seu lugar
E retomar com Deus velhas barganhas.

De barriga vazia, horas estranhas
Eu passo sem que possa nem pensar:
Talvez deixe de ser só para estar
E negar à carne fraca novas sanhas.

Decerto, há-que se ter todo o desejo
Para além das vidas que cotejo
Paralelas ao tempo e à eternidade.

Mas quem controla quem? Vai se saber...
Sigo jejuante para não querer:
Nego à carne qualquer necessidade.

Betim - 05 07 2020
 

EternizArte
Ricardo CUNHA
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Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar. https://medium.com/@arqt.ricardoc

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