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Imprecisa

Há anos a fio

afio minha faca de cortar palavras,

sonhando com o aço fino

que deixasse exposto

só o fundo das coisas do mundo.

 

A despeito de meu refinado esforço

essa lâmina que trago comigo

não afia. Não afia.

Não se esforça para ferir,

não é dada às durezas da vida.

 

É uma lâmina que já nasceu enternecida.

Em vez de corte preciso

teima em demorar o olhar

encantada

na imprecisão de tudo.

 

É uma faca perdida essa bandida...

 

Então me conformei,

vim fazer versos

(bobos, soltos, mas versos).

Cada um corta

− e ama –

as palavras como pode.

 

#Poesia #Concurso #Eternizarte

EternizArte
Clarissa Plácido
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Professora apaixonada pela Língua Portuguesa, há pouco tempo me atrevi a (re)começar a brincar com a palavra escrita numa tentativa de afinar meu olhar para coisinhas rotineiras e belas do todo dia. A poesia é meu sim pra beleza, pro amor, pra vida.

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