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Faça-se Luz

Faça-se Luz

[05/06/2013] - Registro de Gravação 0125, paciente Ana Smith.

  • Diagnóstico de Esquizofrenia Paranóide, depressão e alucinações visuais e auditivas.

  • A gravação a seguir trata-se do testemunho final do caso de desaparecimento de 13 (treze) crianças no dia 09 de julho de 1941 reaberto pela Dra. Rachel Lloyd e pedida pela firma de advocacia Sherman & Bros. O trecho abaixo foi gravado no Sanatório de Novo Repouso na cidade de Sunderland em um relato livre feito pela própria paciente diante da Dra. Agatha Kim, sua psiquiatra.  

Dr. Sebastian Lutz.

Chefe do Departamento de Psiquiatria Clínica e Pesquisa Psicoterapêutica.

“Fiat Lux...

Ninguém mais se lembra nem mesmo aqueles que riram de mim e debocharam das minhas memórias. Não existem registros onde olhos curiosos possam se deparar com a verdade do que aconteceu naquele dia, não há nada e nem ninguém que consiga sequer descrever aqueles cuja luz brilha sobre o céu da noite.

A não ser eu. Eu me lembro, eu sei e eles sabem disso, me vigiam por isso e me destroçaram por isso. Talvez até tenham documentos sobre eles e sobre mim, mas nada como o que eu tive, eu lembro de onde vieram. Eram um ou talvez dois?Talvez fossem mais; não me recordo como gostaria, mas eu sei que existiram e a queimadura no meu braço é prova disso, a cor carbonífera de meu braço em contraste com o restante de mim é minha maior lembrança deles.

Tudo tinha começado aquele dia na floresta, vagando junto de meu irmão, meu pobre irmão manipulado por falas falsas de vozes sombrias e sem rosto. Em meio a imensidão verde e marrom de troncos tão grandes quanto o próprio céu para mim. Ah, o mundo era tão calmo, a brisa leve e a luz do Sol eram tão confortáveis, papai e mamãe sorriam o dia todo e nunca brigavam enquanto o mundo era meu quintal, correr por onde der, andar até onde fosse possível aguentar por puro capricho, tudo era incrível. Eu era incrível. Minha pele era lisa e esbranquiçada como um doce de rico, meus olhos finos e castanhos viventes pela luz solar pareciam gotas de chocolate em meio a uma elegante sobremesa igual meu longo e requintado cabelo negro quais os fios se emaranhavam em um coque e caíam pelas minhas costas. Eu era magra, fina e, como algo requintado, parecia que iria quebrar ao menor toque e similar a mamãe nada conseguia me retorcer ou subverter. Eu era fina, brava e de longe a mais inteligente e corajosa das garotas do vilarejo, saía para aventuras junto do frouxo de meu irmão no entremeio da floresta, me esgueirava por onde os javalis e os outros predadores caçavam no meio da névoa.   

Um dia decidimos ir a noite...

Não lembro o motivo exato, mas eu me recordo da vontade, a ânsia de fazer algo que eu não deveria estar fazendo. Talvez as crianças da vila tivessem sido cruéis comigo, talvez meu próprio irmão tivesse rido das minhas habilidades. Talvez.

Meu irmão levaria o rifle de caça de papai e eu iria com o arco que meu irmão usualmente usava, eu não podia usar o rifle. Eu não lembro o porquê, acho que não tinha músculos suficientes para segurar a arma como deveria.

Fomos durante a manhã, pouco depois de termos comido. Lembro de ficar entocados em uma raiz de uma árvore caída cercados por mato enquanto esperávamos pelos cervos. O meu irmão, aquele animal inútil, havia dormido em meio a terra mas eu não, me mantive firme, acordada e vigilante prestando atenção em cada movimento no meio do mato; eu sabia onde estava, conseguia me mover no meio do matagal a noite igualzinho um bicho, tinha sido adestrada pra’ isso desde que mamãe me pôs nesse maldito planeta.

Depois de horas, no meio da noite, eu tinha ouvido um barulho, nem mesmo achava que fosse um cervo, eu tinha absoluta certeza que era. Eu jurava que era.

Andei pelo mato por mais ou menos trinta minutos com todo cuidado possível sempre atenta aos ruídos do cervo batendo suas patas no chão, o chão era frio e só a luz da Lua me fazia diferenciar algumas formas que apareciam na minha frente.

Eu não via nada direito e depois de um tempo eu perdi o barulho do que eu pensava ser o cervo. Papai sempre dizia que era perigoso andar no mato a noite mas eu queria vê-lo, eu era a mais inteligente e mais corajosa do vilarejo, eu queria matar o cervo e eu queria muito. Levaria ele como prêmio, seria triunfante diante dos outros e então eu segui. Passos calmos, ouvidos atentos e sentidos em alerta.

O problema do mato a noite é o barulho, tudo que se esconde durante o dia sai a noite e parece um furacão de sons que vêm de todo lado possível, parecia vir até debaixo e, às vezes, realmente vinha. Segui pelo meio daquela tempestade tentando localizar o maldito daquele cervo e então veio...o nada, silêncio absoluto. Parecia que a floresta e tudo nela tinha desaparecido completamente. Só haviam sobrado eu e o escuro infinito que bloqueava toda minha vista, até mesmo o solo tinha mudado, antes era irregular e áspero e, agora, era liso e uniforme; não parecia nem mesmo ser de terra batida mais.

Eu lembro de ter ficado com medo…

Até ver a luz...era linda, maravilhosa na verdade. Azulada e cintilante como uma estrela que se abriu como uma flor no meio da escuridão do espaço mas próxima de mim, sob a copa das árvores. Olhá-la era como encarar uma fada na vida real, era confortável e quente, convidativa e amigável. O medo ainda me consumia por dentro mas eu não consegui me mover. A orbe azul não se moveu enquanto eu estive lá. Não. Dela, eles vieram…

Dançaram pelo ar como duas, ou talvez uma, alongada e achatada brasa laranja de fogo incandescente que desceu suavemente até perto de mim enquanto a olhava com horror escancarado nos olhos e os braços trêmulos, não sabia o que fazer, como me mover e, honestamente, sequer lembrava se poderia realmente fazer alguma coisa. Tinha quase a minha altura e sua forma era esguia e ele mudava de cor enquanto falava.  

“Você mora na cidade?” ele tinha me perguntado com uma voz fina parecida com a de uma criança, acho que eu respondi somente com um gesto. Era o máximo que eu conseguia fazer naquele momento. Tudo parece um sonho encarando deste momento, eu não me recordo exatamente quanto tempo levou mas eu tenho certeza de que ele me levou para dentro da orbe. Era enorme, muitíssimo maior que o próprio vilarejo. Ele me mostrou...tudo.

Me disse que eles vieram das estrelas, tão longe e tão invisíveis que não passavam de um ponto pequeno entre bilhares de outros pontos e sua espécie precisava de ajuda pois estavam pesquisando sobre nossa raça para seu grande acervo de bilhões de dados sobre o Universo e seus habitantes, me mostrou suas inacreditáveis máquinas de voo movidas pela força do pensamento de seres de metal e plástico que permitiam que fossem a qualquer lugar a qualquer momento que mais pareciam dragões do que aquilo que ele dizia serem naves, algumas eram quadradas outras redondas e até mesmo haviam aquelas que possuíam a forma de triângulos. Durante milhões de anos eles prosperaram e unidos conquistaram boa parte do mar de estrelas antes mesmo de existir o primeiro dos homens. No começo havia paz absoluta no que ele me disse ser o Primeiro Grande Império que se estendia por uma coleção inimaginável de estrelas distantes da Via Láctea; eles haviam progredido demais, seu Império era tão grande que englobaria o nosso planeta nele sem sequer fazer uma soma significativa de território e com o crescimento veio a ganância de se possuir sem delimitações  e então vieram os enormes períodos de guerras movidos por alguns Dragões cegos pela ganância de se controlar até mesmo aquilo que não pode ser tocado. A guerra havia devastado tudo o que tinham construído, suas cidades, suas fazendas e até mesmo as suas formidáveis naves que caíam no chão de lugares inimagináveis como bolas de fogo tão grandes quanto o que eu imaginava ser o planeta inteiro. Depois de me mostrar isso tudo, ele me disse que o tempo havia acabado e se eu quisesse eu poderia voltar, poderia conhecer mais dos Dragões, mais das estrelas. Eu só precisaria dizer: Fiat Lux e pronto, eu estaria com eles aprendendo sobre a Via Láctea, suas irmãs, sobre sua mitologia e tudo que eu quisesse.

Pareceu que tudo durou apenas alguns minutos...    

Eu acordei no chão, no dia seguinte. Ao meu lado estava o corpo do cervo. Um presente deles pra mim. Eu sei disso pois não faço ideia de como ele morreu sem haver nenhum tipo de perfuração no corpo e nem sinal de envenenamento.

Eu levei o cervo pros meus pais. Eu fui recepcionada como uma heroína pelas mesmas vozes que riram de mim. Fui alçada a uma posição de rainha por aqueles que me abandonariam depois...tudo graças a eles.

Durante um ano eu ia à floresta e conversava com meu Dragões, minhas preciosas jóias de rubi brilhante que dançavam sob o ar em minha frente e me mostravam as mil maravilhas do Universo. Me ensinaram coisas que eu jamais pensei saber: Aprendi bioquímica, astrofísica e os mistérios de sua biologia avançada. Tão avançada que sequer existia na Terra ou na própria Via Láctea, eles vinham da Galáxia do Triângulo, de um ponto tão equidistante para mim quanto o próprio centro do Universo. Eu aprendi e confiei, acreditei quando me disseram que eram na verdade uma forma atípica de vida, não baseados em carbono mas surgiam de seres baseados nesse elemento específico apesar de não precisarem mais desses seres pois seus laboratórios avançadíssimos conseguiam gerá-los sem muito problema. Eles eram meus e eu deles. Durante o ano eu lhes falei sobre tudo que eu conhecia em conversas extensas, triviais...e agradáveis, falei do vilarejo, da cidade e sua principal curiosidade: as crianças. 

Durante um ano eu levava o que eu quisesse para o vilarejo, desde animais raros até coisas que eu nunca conseguiria sequer chegar perto com as minhas habilidades de caça. Durante um ano eu fui a coisa mais popular de todo o vilarejo e tão mais inteligente que nem mesmo os mais velhos se comparavam com meu intelecto, durante um ano eu menti para todos sobre como eu realmente conseguia os animais e durante um ano eu vi minha família criar uma reputação quase perfeita. Era tão bom e tão incrível que meus pais me permitiam caçar sozinha o horário que eu quisesse e com o que eu quisesse. Eu era imortal e imbatível, inteligente...e perfeita, tão famosa que minhas façanhas um dia chegaram até a cidade e eu me tornava cada vez mais popular. A Garota Urso, assim me chamavam depois de uma matéria de jornal comentando sobre um urso filhote que eu teria caçado sozinha.

A Cidade…

Sunderland…papai vendia carnes em uma feira e mamãe ajudava ele com algumas coisas que plantava. Depois que conheci os Dragões eu aprendi como fazer algumas bugigangas para vender também. O dinheiro, antes deles, era raso e hoje eu entendo que o que eu entendia como um castelo sob um pico nada mais era que um barraco de madeira em uma terra tão longe que ninguém sequer se importava em dar um preço de aluguel e por isso eu ganhava a confiança de meus pais. Eu era a principal fonte de renda e graças a mim nossa casa aumentou de tamanho, nossas roupas melhoraram e os amigos foram feitos às dezenas, os homens se espelhavam no papai por sua administração e mamãe era invejada pelas mulheres por suas roupas de lã, o vilarejo todo estava sob nosso comando. O que não se via era que aquilo tudo era feito sob minha supervisão. Era difícil mas meus pais não queriam desagradar a Garota Urso e eu tratava qualquer tipo de resistência por parte deles como motivo de briga. Eu era a mais inteligente e eu sabia o que era melhor.

Eu acho que foi em dezembro, em um dia de feira... foi lá...em Sunderland, que começaram a me questionar. Uma vez foi rápido e sem maiores problemas, mas as perguntas aumentaram assim como minha popularidade, principalmente entre as crianças que em maioria eram muito infantis para exigirem respostas elaboradas. Hoje eu sei que os adultos não caiam no conto da Garota Urso, para eles eu era só uma interiorana que não fazia nada mais do que caçar alguns bichos no mato, um fato interessante. Só isso.

Um dia...um menino...Mikhail Yanko era seu nome, ele me questionou sobre como eu conseguia caçar animais raros e me deixou furiosa com sua atitude...eu nem ao menos lembro qual foi. Mas o rosto...isso eu nunca esqueci. Ele era um imigrante russo e conservava os traços de sua terra natal tanto fisicamente quanto no jeito bruto de agir, tinha os olhos azulados e grandes, cabelos loiros e o rosto rosado. Íamos a Sunderland a cada quinze dias vender diferentes coisas na Feira Campestre e de Campesinos e todas as vezes desde que comecei a ser conhecida como Garota Urso ele estava lá. Ele e seu grupinho de outras crianças cujos nomes são apenas sussurros em algum lugar distante na minha memória. Yanko...ele e seu cinismo arrogante eram recorrentes e já premeditados por mim. Eu era imortal, eu era imbatível mas ele...ele teimava em me desafiar, teimava querer debochar dos meus feitos, da minha voz e da minha aparência. Dizia que eu parecia um menino, dizia que era mentirosa e que os animais que eu caçava eram só contos de fadas, que quem os caçava eram outras pessoas, que não poderia ser eu. Todas as vezes que ele falava, uma confusão começava. Eu era controlada pelo meu irmão e mamãe, meu pai acalmava os outros adultos enquanto eu esperneava de raiva e terminava com qualquer possibilidade de ser vista como alguém que conseguiria realmente alçar a fama. 

Em meados de junho...talvez no início de julho de 41 eu consegui desferir um golpe em Yanko. Havíamos nos trombado na rua ao puro acaso, mamãe e papai não estavam por perto e o inútil do meu irmão não conseguia me deter sozinho e aí nós brigamos. Por quê? Eu não sei. Eu só lembro de dizer: “EU VOU MOSTRAR PRA VOCÊ, FUI QUE CACEI ELES E EU VOU TE MOSTRAR. NA FLORESTA, VAI LÁ QUE VOCÊ VAI VER.”

Eu desafiei ele e ele aceitou....eu fiz os termos ali, no alto da minha fúria. Eu disse que ele poderia levar quem quisesse, que o mostraria como eu caçava. Eles iriam para a minha casa e de lá eu os levaria direto pra’ minha armadilha. 

Tentei me convencer por muito tempo que existiu um plano, que tudo seria apenas um susto, apenas uma trapaça simples para que ele saísse do meu pé, para que ele tivesse medo de mim. Ele me veria como os outros...como alguém acima dele...assim eu esperava, realmente esperava.

Naquela noite eu fui para a floresta e disse as palavras...Fiat Lux...e lá eles estavam. A enorme orbe azul se abriu sob minha cabeça, linda e formosa como sempre. Os dragões desceram e me levaram para seu interior e os disse o que queria. Um susto...apenas um susto e como todas as outras vezes, tudo pareceu um sonho.

No dia seguinte...na verdade, na noite do dia nove eles vieram de carona em uma caminhonete do pai de um deles que iria voltar pra’ pegá-los mais tarde. A princípio iriam somente Yanko e seu grupo que tinha outros quatro, mas eles fizeram questão de anunciar que iriam me ver caçar, que a Garota Urso mostraria seus segredos e aí mais vieram. Acho que tinham dez ou doze...não lembro mais, faz tanto tempo…

Nós fomos para a Floresta escondidos, eu tinha dito para papai e mamãe que iríamos brincar e eles acreditaram. Saímos quase uma hora depois deles terem chegado, eu me ria por dentro. Pensava no rosto que Yanko faria depois do susto, dele correndo assustado e eu triunfante diante de um menininho patético.

 Se ao menos...se ao menos eu não fosse inocente.

Eu os levei até onde eu encontrava com os Dragões e disse...fiat lux e lá apareceu. A enorme e incrível Orbe Azul como um imenso Sol tinha iluminado as árvores e o mato.

Mas tinha alguma coisa diferente…

Eles não vieram. Os Dragões. Não saíram como saiam antes. 

Da Orbe veio uma luz avermelhada que passou pela gente, focou em nós e aí vieram os choros. Desesperados...e imóveis enquanto aquela luz existia sobre nós.

Nem eu conseguia me mexer...eu lembro do medo, lembro de me apavorar...e negar. Eu era deles e eles meus. Não me fariam mal. Não poderiam fazer. Ou assim eu pensava.

Então desceram de um jeito diferente de antes. Não eram como fogo incandescente e nem se moviam como uma brasa. Eles estavam rápidos, ágeis, eram muitos mais do que antes e no que me pareceu um segundo envolveram todos. Eu inclusive.

Ninguém falava nada, apenas ouvia os garotos lamentando sem parar. Clamando por uma ajuda que não veio.

Um segundo...parece que foi isso que demorou. Apenas um segundo...em um eles estavam todos lá e no outro...não estavam mais.

O último rosto que eu me lembro é o de Yanko. O medo, o horror impresso em seu rosto...as lágrimas que caiam sem parar e a boca aberta querendo gritar mas sem nenhum som emitido.

Os Dragões...meus dragões...levaram as crianças para dentro do Orbe e então...então sumiram. Ergueram voo e em um piscar de olhos eu estava só.

Depois disso veio a desgraça completa. Vieram os policiais e as buscas, as câmeras e os repórteres. Mentiram sobre mim. Disseram que foi algum tipo de assassinato em série e que eu fui cumplice, que atrai as crianças pro meio do mato. A Garota Urso tinha se tornado alguma lunática que ajudou os pais a matarem uma porção de crianças por conta de algum tipo de ritual maluco. Eu tentei dizer a verdade, avisei sobre os Dragões, as estrelas e a Galáxia do Triângulo…

Ninguém me ouviu...apenas uma vez...uma mulher...isso em 44...ela quis me ouvir, foi a primeira no que pareciam anos a me escutar, acho que era Amélia o nome dela...ela tinha dito que poderia ajudar contanto que eu parasse de falar.

Me neguei, contei a ela os detalhes mas não havia outra explicação…

O resultado foi o que fizeram comigo...atearam fogo na minha casa. Queimaram meu braço achando que eu tinha feito essas coisas horríveis, marcaram meu rosto e meu corpo com punhos furiosos...me jogaram nesse lugar...prenderam meus pais...me chamam de Garota Lunática até hoje...eu sei que chamam...em tudo isso, meu irmão ficou ao lado deles. Ele acreditou nos repórteres, se voltou contra nós...e hoje ninguém mais se lembra. Eu sou só um caco do que já fui, estou doente e quebrada. Minha pele está quebradiça e marcada, meus cabelos caíram dos choques e meus olhos secaram com a decepção. Estou batida e completamente inerte., doutora Kim.  

Tudo que eu posso relatar agora é…

Fiat Lux.”

 

[31/09/1945] - Documento de Admissão de Paciente.

“Conforme expedido pelo juiz Ravid Sherman, a detenta Ana Smith, 13 anos, está sentenciada a três prisões perpétuas a serem cumpridas imediatamente na instituição Sanatório de Sunderland para criminosos insanos. O Livramento Condicional está sob júdice e, em caso de persistência do diagnóstico de demência grave dado pelo Dr. Isaac DeFalco, suspensa.”  

 

[09/12/1945] - Descrição da Paciente, feita pelo Dr. Franklin Stycer.

“Ana Smith, 12, apresenta episódios recorrentes de extrema violência, frequentemente afirma que seus amigos do espaço, chamados de Dragões, estão a observando e que estão com as crianças desaparecidas; a paciente segue apresentando alucinações visuais e auditivas. Terapia com eletrochoque e contenção física são extremamente recomendadas.”

 

[02/01/1965] - Avaliação Psicoterapêutica da paciente Ana Smith, conduzida pela Dra. Amanda Stycer.

“A paciente ainda apresenta sinais graves de depressão apesar das visitas de seu irmão; se comunica raramente e quando o faz persiste com a idéia de que as crianças desaparecidas foram levadas a outra galáxia por seres de luz chamados de Dragões. Episódios violentos ainda são recorrentes e aumento na dose medicamentosa bem como a continuação do tratamento com eletrochoque é recomendada.”

 

[21/08/1965] - Documento de Apelo Condicional negado. 

“O apelo pelo livramento condicional apresentado pela advogada Carmen Diaz representando o sr. Mica Smith está negado por ordem de vossa excelência, o juiz Efraim Sherman, uma vez que a paciente, a sra. Ana Smith ainda representa riscos para a comunidade de Sunderland , possui histórico de conduta violenta em sua estadia no Sanatório de Sunderland e a perícia realizada pelo Dr. Joseph Lutz chegou ao diagnóstico de Esquizofrenia Paranóide gravíssima.”

 

[05/07/2013] - Relatório de Paciente feito pela Dra. Agatha Kim.

“Mesmo abatida e sintomatologia de transtorno depressivo grave, a paciente Ana Smith parece mais próxima da realidade apesar de ainda afirmar que os Dragões (seres alienígenas inventados por ela) são reais. Dada a idade, 81 anos, as chances de alta são remotíssimas e a transferência para um Hospital Psiquiátrico é recomendada devido ao estado de saúde geral da paciente.” 

 

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  • Acervo do Comando Central de Relações Interiores e Exteriores

    • Relatório de Campo para Agência de Inteligência

[Caso 0139-04] - Força Tarefa Móvel Alpha-2 (“Os Coelhos Vermelhos”)

“Relatório Sazonal, dia 23/04/2011

Os documentos sobre os extraterrestres observados pelo telescópio Dharma em 1962 e reportados na cidade de Sunderland na década de 40 ficarão sob tutela do Posto Avançado nº5 até que possam ser utilizados em campo ou reproduzidos em laboratório de forma produtiva. Por aferição, é plausível que o objetivo do sequestro das crianças tenha sido por pesquisa, porém mais hipóteses são possíveis e não devem ser descartadas de imediato. Relatos que envolvam orbes de luz flutuantes devem ser encarados com cuidado.

A respeito da indivíduo que afirmou ter tido contato com os extraterrestres , a coleta de dados foi feita por uma agente dos Coelhos Vermelhos durante conversa onde a mesma que afirmou ter tido contato direto com os seres alienígenas relatou sobre como foram os encontros e como começaram, seus achados bem como as anotações de Franklin Stycer estão sob posse dos Amigos de Deus e mesmo que complementares os dados são dispersos. Atualmente, Ana Smith está confinada no Sanatório Sunderland e não apresenta risco ou ameaça, mas deve continuar a ser observada e um relatório sobre a situação geral da mesma reportado a cada seis meses pelo Dr. Sebastian Lutz ou algum médico psiquiatra próximo a mesma ao Posto Avançado nº5 ou aos Amigos de Deus, o que lhes for conveniente. Os dados obtidos de relevância são: Idade, Aspecto físico e genético. Outros ainda são hipotéticos.

A campanha de desinformação feita em 43 está completamente desativada e os riscos de seu descobrimento são nulos. Os agentes cegos usados na campanha tidos como ameaçadores foram eliminados na década de 50 pela Força Tarefa Móvel Iota-3 (“Dançarinos das Estrelas”) e a Sessão 15.”

 

FIM.  

EternizArte
Pedro Alves Godoi
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