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Estrelas sob o Seu céu

Porque a ausência do vento trazia o silêncio
Não haviam voos não haviam palavras
E de repente percebo ao olhar pra cima
Que este mesmo silêncio trazia com ele
Letras diferentes o som de minha própria prece

Então me levanto e caminho na direção do íntimo da noite
E enquanto perambulo esbarrando nos átomos que me acompanham
Sinto a escuridão sendo rasgada pelas asas de uma doce coruja
Atravessando delicadamente o véu do mundo que nos separa

Está pronto? Inspira-me a ave
Sabe que não então porque me pergunta?
Não tenho mais medo
Não necessito mais das provas que um dia procurei
Mas bem sabe que não posso lhe acompanhar
Ainda não aprendi a voar nem sequer asas eu tenho

E no sorriso irônico da coruja
Pude perceber sua verdade
Você não voa porque tem asas
Você simplesmente voa
E por essa razão as tem
Consegue entender que depende de você e não delas?

E ao seu lado me misturei à noite...
Visitei casas e nuvens
Relembrei dos inúmeros encontros e assembleias
Contagiei-me de amor enquanto dormiam dores e amarguras

E no alto de um monte outra ave me aguardava
Podia ver a radiante águia de asas abertas
Agora voará ao lado dela
Desse cume ainda não posso passar
Mas acredito logo serei abençoada

E em novo voo mais alto
Pude ver meu mundo e o de tantos outros
Meu olhar de surpresa foi imediatamente reconhecido
Pelo coração da iluminada águia
Haviam estrelas lá embaixo
Como a olhar o céu de ponta cabeça

Surpreende-se criança
Mas essa é apenas uma das formas
De reconhecer os que ali vivem
Somos todos estrelas
Umas livres outras envoltas

E lá embaixo bilhões de vaga-lumes
Uns piscavam em tempos diferentes
Outros simplesmente brilhavam incessantemente
E ainda muitos não emitiam qualquer luz

Sem a necessidade de questionar me veio a resposta
Todos os momentos que nos vestimos de ódio ou amargura
Ou aqueles ressentimentos por vezes tolos e desnecessários
São instantes que deixamos de brilhar
Mas quando perdoamos amamos e acreditamos a luz retorna
Esse é o motivo do piscar
Veja todos esses mundos a sua volta

Sim a humanidade vai muito além de sua casa
Veja...
Alguns selvagens bárbaros e escuros
Em outros a resplandecência quase me cegava
Longe de estar preparado para conseguir olhar na direção deles
E a Terra, minha casa, logo ali no meio...

Está quase amanhecendo e tem de voltar
Levando-me de volta à coruja
Estarei olhando você e reconhecerei o seu brilho
Não me decepcione

E voei de volta com o sonho sobre as asas
Na certeza do que tenho de fazer
Naquele instante em que me mostrou
Que todos somos estrelas brilhantes sob o Seu céu


Deus acompanhe o voo de cada um de nós...

Carlos Correa

EternizArte
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Um alguém qualquer com sonhos defeitos e mais defeitos que tem a ilusão de tentar ser um mísero melhor a cada dia, um alguém que confia em Deus e acredita na família.

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