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Essência

Vejo-me em retrospectiva calamitosa

Com um ardor incontestável de ódio

De raiva, de pena, de desespero

Por coisas que não disse,

Pelas violências que não apontei,

Pelos silêncios que cultivei

Ante aqueles que me oprimiam,

 

Vejo-me no reflexo dos móveis,

E o que enxergo é esse indivíduo fraco,

Fragilizado e triste;

Esse indivíduo sem sabor,

Que as moças rejeitam,

Que os companheiros afastam;

Essa criatura detestável e choramingosa,

Que entedia até mesmo os mais tediosos,

O que vejo nos reflexos sou eu.

 

Eu que não tenho dormido,

Eu que não soube me portar a mesa,

Eu que não usei os talheres;

 

Eu que não me curvei ao rei,

Eu que não beijei as mãos do papa,

Eu que não soube segurar a taça.

Aí minha mãe, mas que fiasco!

 

Eu que me nego a ser banal,

Eu que grito, choro e soluço,

Eu que não tenho vergonhas;

 

Eu que sou ridículo no limiar da rudeza,

Eu que não tive princesas 

Ou mesmo não tive os olhos de musas silenciosas;

 

Eu que não sou vil,

Eu que sou exageradamente gauche,

Eu que sou eternecidamente

Eternamente sentimental;

 

Eu que não me enquadro nesse desejo cruel e

inexplicável da imagem ante falsos espelhos,

Eu que sofro ralhas e enchovalhos,

Eu que tanto baixei a cabeça pra pra toda imundície nos setores privados;

 

Eu,

Enfim e unicamente eu,

Que sou frágil e assustado,

Mas arrebento o peito de paixões arrebatantes e lágrimas contidas.

#Poesia #Concurso #Eternizarte

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