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Abajures calmos e transparentes amarelos.

Abajures calmos e transparentes amarelos.

A nostalgia e a dor de barriga.
O vidro e as digitais impressas nele.

Sou tão pouco quando o assunto é me expressar,
mas sei dizer todas as coisas neste papel, contextualizado. 
Sou tão puro quando é tarde. 
Sou tosco e brega quando me perco em tuas sardas.

As 3 da manhã é texturizada como um aceno de mão,
plangente em uma rua calma. 
Que nasce, que cresce, que morre.
Que reencarna. 

Vertendo lágrimas na surdina, dentro do seu quarto.
Eu não planto, nenhum pranto em tua certeza. 
Nenhuma certeza em ser tanto, 
que não vou ser nada além de ambiguidade,
e subjetividade. 

Ser velho e vestir outro casaco.
Ter tanta camadas e cascos pra trocar,
sendo reserva em meu próprio armário.
Dos quais tais, penduro em cabides às memórias adjacentes.
Par outro par, cheiro de barcos a remo 
e bolor com traças inalando veneno.

Papéis e traços, traços de lápis, traços do rosto,
passos na escada. Não é você.

Quantos anos passei errôneo? 
Enquanto quartos passei o pano?
Me ansiando de tal zelo, 
sendo um zero à esquerda
todo o momento.

Abajures cor de vela e caramelo.
Transparentes amarelos, em sua cortina.
Árvores de cortiça e sua casa na mansarda.
Te observo do teto, do alto teto estampada.
Um reflexo no espelho da voz calma.
Sempre me apaixonei foi pela sua alma.
Rostos eram só pra se reconhecer,
sou tolo em não poder me ver.
Me olhando, do lado de fora,
quem sabe posso acreditar em teus contos,
em tuas palavras.
Ser um mera citação em sua história.

Sua sombra passa à cortina,
cortes, recortes, retalhos estereótipos. 
De cada colcha, cada qual cobertor e manta.
Cada cachecol em forma de rocambole,
cada cacho enrolado e divido para qualquer lado.
Não tenho Norte.

Pudera te imaginar dormindo,
pudesse te cantar aos ouvidos
tais canções que não me lembro agora.
Desafinado e com o peito sonolento,
queria te ver com aquele pijama vermelho.
Acordando pronta, sem receios, com um riso leve, 
levemente calmo
e sem volume.

Pensei que tivesse me tornado imune,
que poderia controlar o que sentia.
Errei sobre nós dois. 
Errei sobre o tempo e o contratempo.

Era pra chover, só fez vento.
Era pra achar, mas só soube me deixar mais.
Era pra elogiar, eu só soube me engasgar com as mesma palavras repetidas, cansadas de indolor. 
Eu sei quem sou.
E você era dor.

Jamais irei ter atitude de tal forma.
Jamais irei sombrear e traçar, apontando seu nome ao rosto.
Não sou o rapaz de teus sonhos,
e tenho certeza que não sou objetivo pra ninguém.
Posso estar parecendo um tanto quanto dramático, mas precisei fazer muito pra cair nesse buraco.
Precisei tocar corpos, precisei de horizontes calmos. Xícaras de chá e café gelado.

Senti, todo dia, a angústia de quem não tem onde ir.
O desespero de quem chama e ninguém escuta.
As vozes mudas em um para peito de concreto.
Insuficiente é o que me tornei. Nunca bom o bastante pra ninguém. 
Se um dia eu for alguém, não te esqueço jamais.

Que morra junto a mim, 
tudo o que acho que lhe devo.
Havia tanto a ser dito, mas ficará comigo, sem você saber.
Nunca bom o bastante pra você.


@hudsonhenrique | Linktree

EternizArte
Hudson Henrique.
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Hudson Henrique. Escritor e compositor brasileiro. Ganhador do primeiro concurso EternizArte, com o poema "Assoprando dentes-de-leão contra a tempestade". Site oficial: www.hudsonoficial.com Aonde me encontrar: https://linktr.ee/hudsonhenrique

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