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A estação amarela.

A estação amarela.

Ainda estou tentando encontrar meu caminho, mas finalmente meus pés foram libertos. Restaram somente as cicatrizes, não sinto mais o antes familiar peso das correntes. Posso enfim correr, alcançar o horizonte.

Quando pensei que as cores haviam me deixado, eu vi o amarelo em todo o seu fulgor, e ele e me guiou até aqui; disse que a vida estava muito além das perdas. Esteve comigo nos primeiros passos, quando caminhar pelas rochas ainda era doloroso. Me ensinou sobre a espera, sobre confiar na jornada. Sei que estou exatamente onde deveria estar. 

Minha alma foi tingida por tal cor, tornou-se parte de quem sou. E quem sou agora, afinal? Não reconheço a face refletida à minha frente. No entanto, não tenho mais medo dela, fico feliz em vê-la se transformando.

Me levem por onde soprarem, digo aos sete ventos. Abro um sorriso para as terras desconhecidas ao longe. Inspiro profundamente e não os deixo morrer, os sonhos. 

Houve noites em que me desesperei com o pior dos sentimentos, o de ter perdido a capacidade de sonhar. Chorei pela morte de minha alma. Como pude deixar que isso lhe ocorresse?  Me parecia o fim mais lastimável de todos.

Mas enfim lembrei de uma promessa muito antiga e me agarrei à ela. Estou atirando todos os meus fardos ao mar. E digo a mim mesma: existe uma razão maior para sonhar.

EternizArte
Victória Rossi
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tendo as palavras como companheiras na jornada.

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